Uso de drogas de abuso durante a gravidez e lactação


A utilização de drogas de abuso por parte de algumas gestantes é um fato que vem crescendo nos últimos tempos e é bastante comum na nossa prática cotidiana como residentes.
                O uso de drogas é um grande problema de saúde pública, repercutindo de maneira assustadora na sociedade em que vivemos. Nas gestantes, esse problema ganha ainda mais importância, pois a exposição dessas pacientes às drogas pode levar ao comprometimento irreversível a mãe ou ao feto.
Entre as drogas mais comumente utilizadas durante a gravidez, está o álcool. O etanol atravessa facilmente a placenta, podendo causar efeitos teratogênicos no feto, entre eles a síndrome fetal alcóolica que é considerada a consequência mais séria e pode ser caracterizada pelo retardo do crescimento intrauterino, déficit mental, alterações musculoesqueléticas, geniturinárias e cardíacas. Portanto, a melhor conduta em relação ao consumo do álcool é a abstinência.
O uso da cocaína e do crack pelas mulheres grávidas tem crescido muito na última década, porém a identificação desse problema é dificultada não só pelas próprias gestantes que negam o uso, mas também pelas pacientes que são portadoras da doença hipertensiva gestacional, já que as complicações dessa doença coincidem com os sinais de exacerbação do sistema simpático que também ocorrem com o uso da cocaína, como hipertensão, taquicardia, arritmias e até falência miocárdica.  
A cocaína atravessa a placenta sem sofrer metabolização, interferindo diretamente no feto, causando vasoconstrição, malformações urogenitais, cardiovasculares e do sistema nervoso central. Considerando-se que o fluxo sanguíneo uterino não é autorregulado, a sua diminuição provoca insuficiência uteroplacentária, hipoxemia e acidose fetal.
Os efeitos causados pela maconha no feto são de difícil identificação devido ao seu uso geralmente concomitante com outra droga, porém sabe-se que o princípio ativo da maconha (THC) é altamente lipossolúvel, passando com facilidade pela placenta. Alguns estudos apontam que a maconha tem capacidade de diminuir a perfusão uteroplacentária, prejudicando o crescimento fetal e além disso, o uso perinatal da maconha pode levar ao retardo da maturação do sistema nervoso fetal. Já na mãe, os efeitos variam de acordo com a frequência do uso da droga, como por exemplo, na inalação aguda da maconha, ocorre a descarga simpática, congestão conjuntival e ansiedade, e o uso crônico, pode provocar letargia, irritabilidade, além de alterações no sistema respiratório.
O monóxido de carbono e a nicotina são produtos resultantes do fumo do cigarro que passam facilmente pela barreira placentária. O monóxido de carbono favorece a hipoxemia fetal por apresentar alta afinidade pela hemoglobina do feto e impedir que ela se ligue ao oxigênio. Já a nicotina causa vasoconstrição e aumento da resistência vascular por reduzir a síntese de prostaciclinas. Além disso, há um maior índice de retardo de crescimento intrauterino e deslocamento prematuro de placenta devido características típicas de hipoperfusão da placenta de gestantes tabagistas.
            Para isso é necessário que nós como profissionais de saúde tenhamos conhecimentos sobre essas drogas mais utilizadas e que possamos repassar as orientações dadas às gestantes durante o pré-natal.

            O uso de drogas na população geral permanece um sério problema a ser solucionado e que deve envolver equipes multidisciplinares em sua abordagem, triagem e avaliação da gestante. Especificamente em relação ao uso de drogas na gravidez, alertar quanto aos riscos das drogas mais comuns, tais como álcool, maconha, cocaína, cigarro, e que possamos tratar cada gestante com sua individualidade, para a criação e estabelecimento de uma melhor estratégia de abordagem para esse segmento específico da população.

Comentários

  1. Oi Ianne, infelizmente, podemos nos deparar com a prática do consumo de drogas de abuso entre gestantes. Gostaria que expusesse orientações a serem dadas para uma mãe usuária de drogas que está em período de amamentação. Esta mãe poderá dar de amamentar normalmente?

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